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Fatos, dados e conjuntura

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20/07/2012
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Pressão de alimentos na inflação
Trata da pressão dos preços dos alimentos sobre a inflação no Brasil, e suas perspectivas futuras
Pressão de alimentos na inflação

Alta de preço de alimentos no atacado gera pressão sobre IPCA no 2º semestre
Arícia Martins, Tainara Machado e Diogo Martins | Valor Econômico - 20/07/2012
 

A pior seca dos últimos 25 anos nos EUA colaborou para que a soja ultrapassasse ontem, pela primeira vez, os US$ 17 por bushel em Chicago. Esse dado foi mais um na série de indicadores sobre preços de alimentos que estão preocupando os especialistas em inflação. As cotações de grãos estão avançando com rapidez e a pressão deve chegar ao IPCA entre o terceiro e o quarto trimestres do ano. Até agora, as projeções dos analistas para o IPCA em 2012 estão mantidas ao redor de 5%. Revisões para cima são esperadas caso os preços agrícolas não cedam nos próximos meses

Considerados como mais um entre os vários fatores de alívio para a inflação até meados do primeiro semestre, os preços de alimentos passaram a ser vistos como risco para a segunda metade do ano, depois da forte alta de produtos agropecuários no atacado em junho e julho. Com a estiagem nos Estados Unidos, as cotações de grãos estão avançando com rapidez e têm colocado pressão nos Índices Gerais de Preços (IGPs), movimento que, segundo economistas, deve chegar ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) entre o terceiro e o quarto trimestres do ano.

Por enquanto, as projeções dos analistas ouvidos para a alta do IPCA em 2012 estão mantidas ao redor de 5%, levando em conta efeitos compensatórios de baixa, com destaque para as desonerações fiscais de linha branca e automóveis. Revisões para cima, no entanto, não estão afastadas, caso os preços das principais commodities agrícolas no mercado internacional não cedam nos próximos meses. Em junho e julho, soja, trigo e milho subiram 13%, 4,8% e 4% em reais, respectivamente, segundo cálculos de Fabio Silveira, sócio-diretor da RC Consultores.

Divulgada ontem pela Fundação Getulio Vargas (FGV), a segunda prévia do IGP-M avançou de 0,63% para 1,11% entre junho e julho, com ascensão acentuada dos produtos agrícolas, que passaram de 0,26% para 2,35% no período. Os destaques, mais uma vez, foram a soja, que registrou aumento de 11% na leitura atual, e o milho, que passou de queda de 3,9% no mês anterior para taxa de 1,5% em julho. "Não se sabe se o efeito da seca nos EUA chegou ao pico, porque não se sabe a extensão dos problemas por lá. Mesmo que tenha chegado ao pico, levará ainda um tempo para que os impactos na produção de commodities agrícolas cheguem ao mercado", afirmou o coordenador de análises econômicas da FGV, Salomão Quadros.

Daniel Moreli Rocha, estrategista para mercados do Banco Indusval & Partners (BI&P), afirma que a escalada das commodities foi surpreendente e repentina, ao contrário de 2008, quando se deu ao longo de seis meses. Há quatro anos, observa Rocha, o câmbio estava mais apreciado e as empresas tiveram mais tempo para se adaptar e repassar aumentos de custos, ao contrário do momento atual, quando "muitas ainda devem ser pegas de surpresa". Ele pondera que a capacidade de reajuste de preços fica comprometida em períodos de atividade moderada, mas, como a expectativa é de aceleração no segundo semestre, já existe potencial de repasse a partir de agosto.

Os itens ao consumidor que são afetados com mais rapidez pela trajetória da soja, do milho e do trigo no atacado, segundo o analista do BI&P, têm peso de 2,72% no IPCA, "o que não é irrelevante". Caso o cenário de valorização de commodities se consolide nos moldes de 2008, Rocha estima impacto adicional de 0,45 ponto percentual no indicador oficial de inflação, mesmo com uma defasagem de cerca de três meses para a transmissão do atacado para o varejo. Assim, sua projeção atual para a alta do IPCA, de 5,1%, teria de ser ajustada para 5,5%.

Elson Teles, do Itaú Unibanco, diz que as variações da soja e do milho devem manter os IGPs pressionados nas próximas leituras, mas ainda está avaliando a mudança do cenário em alimentos para decidir se irá mudar sua estimativa de 4,9% para a alta do IPCA neste ano. "Se o problema com grãos for mais sério, pode chegar no varejo no último trimestre." Preocupa o economista, além do impacto das duas commodities nos preços de rações animais e, consequentemente, das carnes, a correlação da trajetória do milho e da soja com o trigo e o possível efeito em sua cadeia de derivados.

O comportamento dos alimentos no varejo em junho e julho já foi atípico, na visão de Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados, com aumentos mais fortes do que os sazonalmente observados no meio do ano, fator que por si só já pode acelerar a taxa acumulada do IPCA em 12 meses. Além da alta de grãos, Vale vê problemas de oferta na área de frangos e suínos, algo com efeito mais rápido no IPCA e que, segundo ele, deve elevar as expectativas para o indicador no fim do ano. A princípio, diz, a MB não vai alterar sua previsão de alta de 5%, porque já incorporou certa folga no cenário inflacionário para o segundo semestre.

Para Fabio Ramos, da Quest Investimentos, mesmo a manutenção das cotações das commodities agrícolas no nível atual, sem subidas adicionais, pode implicar entre 0,2 e 0,3 ponto percentual a mais em sua projeção de 5% para o aumento do IPCA em 2012. "Por enquanto, não vamos revisar essa estimativa, porque as desonerações estão segurando o risco de a inflação degringolar para cima."
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